We are just pieces

Quando me viam, parado e recatado, no meu invisível recanto, eu não estava pasmado. Estava desempenhado, de alma e corpo ocupados: tecia os delicados fios com que se fabrica a quietude. Eu era um afinador de silêncios.

we’re just pieces

Portanto, não adianta especular qual o “significado” da vida em toda a sua dimensão. Em outras palavras, estamos condenados a improvisar. Somos como atores num palco, mas entramos em cena sem que tivéssemos oportunidades de decorar nosso papel, sem um roteiro definido e sem alguém para nos soprar nossas falas. Nós próprios devemos escolher como queremos viver.

— O Mundo de Sofia.

A canção que eu canto quando estou livre.

Eu me sentia como um garfo torto entrando no meio de toda sopa sem sal, sem um pingo de lógica ou tempero, tinha dias que me assustava com o meu temperamento e dias que já não ligava mais pra vida, viver tinha sido apenas uma aventura sem mágica e sem nuvens brancas. Me liberto do mundo de vez…

De um sonho magnífico
Certa noite despertei.
Ao longe, um murmúrio,
Como um rio subterrâneo -
Me levantei: o que quereis?

— Arnulf Øverland.

Tive grandes ambições e sonhos dilatados — mas esses também os teve o moço de fretes ou a costureira, porque sonhos tem toda a gente: o que nos diferencia é a força de conseguir.

— Livro do Desassossego - Fernando Pessoa (via quotesdelivros)

She wondered whether the books she loved consoled her precisely because they were the manifestations of her own isolation.

— Rachel Cusk, Arlington Park (via larmoyante)

No fundo, a culpa de tudo o que acontece em nossa vida é exclusivamente nossa. Muitas pessoas passaram pelas mesmas dificuldades que passamos, e reagiram de maneira diferente. Nós procuramos o mais fácil: uma realidade separada.

Veronika Decide Morrer - Paulo Coelho (via eoslivros)

Nasci para administrar o à-toa, o em vão, o inútil. Pertenço de fazer imagens. Opero por semelhanças. Retiro semelhanças de pessoas com árvores, de pessoas com rãs, de pessoas com pedras, etc. Retiro semelhanças de árvores comigo. Não tenho habilidade pra clarezas. Preciso de obter sabedoria vegetal. (Sabedoria vegetal é receber com naturalidade uma rã no talo). E quando esteja apropriado para pedra, terei também sabedoria mineral.

Manoel de Barros.     (via recomendar)

literaturaecafe:

Good Morning!

literaturaecafe:

Good Morning!

A childhood without books – that would be no childhood. That would be like being shut out from the enchanted place where you can go and find the rarest kind of joy.

Astrid Lindgren (via words-and-coffee)

Proclamava-se ali o fim do mundo, a salvação penitencial, a visão do sétimo dia, o advento do anjo, a colisão cósmica, a extinção do sol, o espírito da tribo, a seiva da mandrágora, o unguento do tigre, a virtude do signo, a disciplina do vento, o perfume da lua, a reivindicação da treva, o poder do esconjuro, a marca do calcanhar, a crucificação da rosa, a pureza da linfa, o sangue do gato preto, a dormência da sombra, a revolta das marés, a lógica da antropofagia, a castração sem dor, a tatuagem divina, a cegueira voluntária, o pensamento convexo, o côncavo, o plano, o vertical, o inclinado, o concentrado, o disperso, o fugido, a ablação das cordas vocais, a morte da palavra.

— José Saramago | Ensaio sobre a cegueira. (via escandalos-p-o-e-t-i-c-o-s)

Quero textos que abram meu apetite. Que me façam tirar o traseiro sedentário da poltrona e correr para jogar meu café no ralo, lavar as panelas sujas de óleo e cheirando a tédio e arrogância. Dar um ar novo a minha casa física e mental. Quero textos ácidos, dogmáticos, teóricos e pouco práticos. Quero textos que me façam correr os olhos pela página como um atleta treinado em uma pista perfeita. Quero um menu, cardápio de autores que façam as entradas, a sobremesa e o bocejo poderem ser visivelmente adjetivados como interessantes. Quero textos tratáveis e não só tragáveis. Pois não uso cigarros. Tenho pavor de nicotina. Pior, tenho repulsa de escritores ordinários que cheiram, geralmente, a nicotina ou outras drogas destiladas. Quero textos que façam bem. Mundanos, insanos, comportados. Na trilha caminham os poetas. Os verdadeiros se escondem sob sombra da árvore, na colina mediana, mais ou menos onde o céu e o vento fazem da curva um poema.

A.E.C Souza.  (via releia-me)

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